The cart is empty

Blog

Paulina Chiziane canta liberdade em novo livro

Em 122 páginas, a consagrada escritora moçambicana Paulina Chiziane decidiu compor uma canção para os ‘escravos’ deste século, apelando à sua liberdade. “O canto dos escravos” é o título da canção, ou melhor, do livro, lançado a 26 de Julho em Maputo.

O livro lembra a falta de liberdade a que estiveram votados muitos escravos africanos, sobretudo nos séculos XVIII e XIX, mas não é disso que se trata na obra, segundo a autora. “Não estou a falar do passado”, rematou.

Está a chamar atenção, prosseguiu a escritora, para a importância da preservação da liberdade para todos os individuos, tendo um olhar para a linha da nossa história. “A liberdade é uma coisa que temos hoje, mas se não soubermos cuidar dela podemos perder”, recordou a artista, uma das mais aclamadas pelos leitores moçambicanos e não só.

“O canto dos escravos” é composto por sete livros, nomeadamente: testamento; canto de dor e desespero; canto de resistência; transcendência; canto de liberdade; à volta da fogueira e canto de esperança, temas a ser estudados por qualquer vítima da escravatura, processo histórico que, de acordo com a autora, pode reavivar a história de Moçambique “na memória de África e do Mundo”.

 O livro está escrito em versos, mas a escritora adverte que “qualquer semelhança com a poesia é pura coincidência”, diluindo, deste modo, as fronteiras entre as expressões artísticas.  “Às vezes, nós colocamos fronteiras entre diferentes expressões artísticas. Para mim, isso não existe”, disse.

A arte, continou a escritora, é a essência e a expressão da mesma arte é que faz um individuo se empacotar ou dizer que tem capacidade para escrever ou fazer outra coisa. A autora lembrou que o seu espírito artístico lhe faz expressar na forma de escrita, mas se for impedida, por alguma razão, de escrever, poderá  eventualmente colocar o pensamento que estaria no papel literário numa canção ou numa tela.

Para a escritora, insistiu, o mais importante é a liberdade. Como é importante para o negro, que “não se sente humano”, segundo a autora, por ter sido vulgarizado durante séculos. “A vida de um negro é uma busca para ser o outro, para deixar de ser ele mesmo”, desabafou para depois provar o que disse:

“Estão aí nas farmácias pomadas para clarear a pele. E as mulheres vão atrás destas pomadas porque na sua concepção o escuro não é humano. O exemplo dos cabelos é o mais flagrante, as pessoas querem ter o cabelo do outro. O cabelo do negro tornou-se uma espécie de estigma” concluiu.

Esta mais recente obra de Paulina Chiziane também sairá no Brasil, sob o título “O canto dos escravizados”, sucedendo, deste modo, “As andorinhas” lançado também este ano.

 

Fonte: Revista Soletras

A Editorial Fundza é uma editora moçambicana que procura dar oportunidade e visibilidade aos novos escritores moçambicanos, agenciando-os para que se tornem escritores de sucesso.

Facebook

Newsletter

Subscreva a newsletter e receba novidades acerca das nossas publicações.