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Dois dias, mil lições: Elcídio Bila escreve sobre o que achou do FLIK 2019

Já estou de volta à "pátria amada" e durante os escassos dois dias (15 e 16), parece que não, aprendi uma série de coisas, lições aos montes.

Aprendi, primeiro, que Maputo não chega aos pés da Beira. O vício do comercial e do negócio destrói sonhos antes mesmo de começarem a ser concretizados. Existe lá a associação que me convidou para partilhar o trabalho da Kuvaninga - a Kulemba - sem empresas, sem marcas e sem pomposidades reuniu perto de 300 crianças e as fez esquecer, literalmente, o Idai com brincadeiras do seu tempo, brincadeiras que não envolvem pula-pulas mas as fizeram pular até ultrapassar as alturas.

Aprendi também que ser jovem universitário não é investir em megas para exibir suas frescas matérias, muitas vezes não consolidadas, nem desacreditar no outro ou promover inveja nas redes sociais. Vi jovens dedicados ao voluntariado mais do que os próprios empregados. Engajados. Não pelo subsídio ou outra herança, mas imbuídos de vontade de fazer as coisas acontecerem - esta é a equipa da Kulemba.

Aprendi ainda que a Universidade, o contrário do que aqui se pensa, é um espaço plural e, também, merecidamente para crianças. Vocês não percebem o que é uma criança entrar num anfiteatro e usar do palco com um à-vontade merecido, circular pelo pátio como se estivesse num jardim e reconhecer as faculdades como se de escolas primárias se tratasse. É que esta experiência já lhe projecta para o futuro, onde se sente familiarizado com o ensino superior, pelo menos no que respeita às infra-estruturas.

Aprendi que fazer um evento para crianças de dois dias é fácil. Só com o livro como o grande pretexto, é possível. Sem cantor de pompa e sem vulgarizar a infantilidade. O evento decorreu sábado e domingo. Assumi que sábado fosse um dia ideal. As crianças têm razão de vir, consenti. Ora, no domingo a presença foi na mesma dimensão e com o mesmo ar de aprendizagem.

Mais do que isso, em quatro oficinas de pintura de capas artesanais, aprendi que as crianças são, no fundo, muito mais inteligentes que os adultos. E que Beira não está alheia no que concerne à boa educação para os nossos petizes. Fui lá para aprender, e de facto saí saciado. Tanta criança linda e espectacular conheci que vontade não me faltou de não mais regressar.

Em nome da Kuvaninga, muito agradeço a Kulemba AL e Dany Wambire pelo convite e pela hospitalidade. Sem ter estado aí continuaria a pensar que os eventos infantis são esses que testemunhamos (aqui) a 1 de Junho.

Espero que a nossa passagem pela 3ª edição do FLIK tenha valido a pena e tenha ajudado a desconstruir ambiguidades, a projectar novos leitores e a incentivar novos escritores.

Elcídio Bila
Kuvaninga cartão d'arte

A Editorial Fundza é uma editora moçambicana que procura dar oportunidade e visibilidade aos novos escritores moçambicanos, agenciando-os para que se tornem escritores de sucesso.

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