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“Cinzas de Cão”, obra da autoria de Martins Mapera, será apresentada amanhã, 12, na cidade de Nampula. O evento terá lugar no Anfiteatro A da Universidade Pedagógica, a partir das 15 horas. 

A obra é um conjunto de ensaios sobre os livros “Nós matámos o cão-tinhoso!” de Luís Bernardo Honwana, “O regresso do morto” de Suleiman Cassamo, “Terra Sonâmbula”, “Jesusalém” e “O bebedor de horizontes” de Mia Couto, “Chuva Braba” de Manuel Lopes, e sobre o conto “O sonho de Alima” de Lília Momplé.

Para Cristóvão Seneta, o prefaciador do livro, Martins Mapera “surge com uma proposta incisiva de um ensaio que resulta sobretudo da sua visão do mundo em relação às coisas que configuram a dialéctica e a filosofia da vida”. A obra é “um pensamento profundo da vida, porquanto, o autor mergulha, mais uma vez, no corpo das literaturas escritas em português, debitando uma consciência crítica sobre as contradições que emergem da realidade subjectiva da vida”, conclui o prefaciador. 

Martins Mapera é natural da província de Inhambane. É doutorado em Hermenêuticas Culturais pela Universidade de Aveiro e publica artigos de inspiração ensaística em diversas revistas portuguesas. Em 2015, publicou “Realismo e Lirismo em Terra Sonâmbula, de Mia Couto, e Chuva Braba, de Manuel Lopes” – tese de doutoramento, e em 2017, “Poema Aberto e a tela da diversidade”, pela Editorial Fundza. É membro honorário da ALIDC (Associação Lusófona para o Desenvolvimento, Cultura e Integração).  

O escritor moçambicano Alex Dau encontra-se no Brasil, até ao final deste mês, a promover o seu novo livro de contos, publicado naquele país pela editora Nandyala. A obra intitula-se “O galo que não cantou”.

As actividades de promoção da obra estão distribuídas pelas cidades de Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro, para além da capital Brasília, onde se espera que o autor também participe numa oficina de escrita criativa da “Fábrica de Textos”, entre os dias 2 e 5 de Março.

No Brasil, espera-se, igualmente, que Alex Dau participe nas cerimónias de apresentação da edição brasileira da colectânea “Do Índico e do Atlântico: contos brasileiros e moçambicanos”, da qual o autor é um dos antologiados.

Esta colectânea publicada pela editora Malê (do Brasil) e pela Fundza (de Moçambique”) vai, segundo uma nota de apresentação da obra, contribuir para a promoção da literatura moçambicana no Brasil, e, também, divulgar em Moçambique a literatura de alguns dos principais autores da literatura brasileira contemporânea.

Alex Dau participa nesta antologia com texto “Menina Teresinha”, uma história de uma menina de quinze anos que enfrenta tamanhos desafios para cuidar do pai doente.

Alex Dau é tido como um autêntico representante da sua geração de escritores. Produtor cultural, videomaker e activista sócio-ambiental, Alex Dau revela por meio das suas histórias, a realidade de um Moçambique contemporâneo, postado diante do impasse entre suas raízes africanas ancestrais e um presente tecnológico e globalizado.

Alex Dau tem textos espalhados pela imprensa nacional e internacional. Para além, de “O galo que não cantou” é autor de “Reclusos do tempo”, “Heróis de palmo e meio” e “ Habitante do inóspito”. Como videomaker tem realizado documentários com cunho identitário moçambicano. A sua estadia no Brasil também abrangerá actividades ligadas à sétima arte.

O escritor Manuel Mutimucuio lança hoje, 28 de Junho, às 18h00, no Centro Cultural Brasil-Moçambique, o seu segundo livro, Moçambique com Z de Zarolho. A apresentação estará a cargo do reitor da Universidade Pedagógica, Jorge Ferrão.

Trata-se de um romance que descreve o dilema de um empregado doméstico, Hohlo, que se vê desamparado em um universo de becos sem saídas, onde sua única esperança – alcançar o domínio completo da língua portuguesa como possibilidade de ascender socialmente – se vê interrompida pela chegada de uma nova língua oficial do país, o inglês.

Chancelado pela Editorial Fundza, o livro, de acordo com o autor, é inspirado na “transformação linguístico-cultural que se assiste um pouco por todos os países de língua e expressão portuguesa”.

Para Mia Couto, Manuel Mutimucuio, nesta nova obra, reafirmou a sua capacidade em “ construir uma história que fala de uma nação que luta para emergir das cinzas e do caos”, colocando-se assim entre as “ importantes vozes da nova geração de escritores moçambicanos.”

Manuel Mutimucuio nasceu em Maputo, em 1985, mas teve os seus anos formativos na Beira. É doutorando em Governação e profissional de desenvolvimento, todavia, na escrita literária encontra um espaço de reflexão criativo sobre os desafios da construção do Moçambique contemporâneo. Recentemente esteve no Brasil a participar no Festival Literário de Poços de Caldas (Flipoços 2018), onde apresentou a sua obra de estreia “Visão” (2017), a qual disseca os contornos da ajuda internacional em Moçambique.

A 1 de Maio de 2018, o escritor moçambicano Manuel Mutimucuio fala, no Festival Literário de Poços de Caldas (Brasil), do seu romance Visão, lançado no ano passado pela Editorial Fundza.

A história do Visão tem Enoque Pita como um dos protagonistas. Enoque, ambicionando voos mais altos, ― tornar conhecida a sua pequena associação ― decide estabelecer parcerias com uma organização europeia, dirigida por Agnes Olsson, que também estava à procura de reconhecimento na Europa a partir de um trabalho impactante em África.

Por ser uma história que atravessa fronteiras, Manuel Mutimucuio, em entrevista à Soletras, diz sentir a necessidade de partilhá-la com leitores brasileiros. “Visão conta uma história moçambicana, mas que também podia ser de qualquer sociedade que vive os desafios da pobreza e a consequente presença de agentes de ajuda ao desenvolvimento”, justifica-se o escritor.

A partir de um exemplo culturalmente familiar [de Moçambique], Manuel Mutimucuio espera deixar os leitores brasileiros em alerta com “a moral da história, que as montanhas de promessas de ajuda podem parir ratos”. Isto, defende-se o escritor, não por malevolência dos agentes de ajuda, “mas porque todo o processo é muito político e envolve seres humanos com necessidades e imperfeições”.

Mais do que partilhar histórias, Manuel Mutimucuio, que participa pela primeira vez no Flipoços, quer aprender muito do festival. Desejo que, pelo menos, deverá ser concretizado nas duas mesas redondas em que o escritor vai participar.

Subordinada ao tema “Escrever em Moçambique: onde se buscam as matérias-primas do escritor?”, a primeira mesa terá lugar no dia 01 de Maio e é nesta ocasião que Manuel Mutimucuio lança o livro Visão.

A segunda mesa está agendada para o dia 05 de Maio e subordina-se ao tema "Línguas e Literaturas em Diálogo". Participam nesta conversa, mediada pela escritora e pesquisadora Susana Ventura, para além de Manuel Mutimucuio, o também escritor moçambicano Dany Wambire, o escritor português João Pinto Coelho e a escritora brasileira Andrea Del Fuego.

Manuel Mutimucuio nasceu em 1985 e é tido como um dos jovens escritores mais promissores de Moçambique. Mia Couto, a propósito da edição do segundo livro de Mutimucuio, que deverá estar disponível nas livrarias moçambicanas em Maio próximo, escreve o seguinte: “Manuel Mutimucuio é, sem dúvida, uma das importantes vozes da nova geração de escritores moçambicanos. O seu segundo livro confirma o poder de subversão da sua escrita e a sua capacidade em construir uma história que fala de uma nação que luta para emergir das cinzas e do caos".

Com revista Soletras

A Editorial Fundza é uma editora moçambicana que procura dar oportunidade e visibilidade aos novos escritores moçambicanos, agenciando-os para que se tornem escritores de sucesso.

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