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O escritor Manuel Mutimucuio lança hoje, 28 de Junho, às 18h00, no Centro Cultural Brasil-Moçambique, o seu segundo livro, Moçambique com Z de Zarolho. A apresentação estará a cargo do reitor da Universidade Pedagógica, Jorge Ferrão.

Trata-se de um romance que descreve o dilema de um empregado doméstico, Hohlo, que se vê desamparado em um universo de becos sem saídas, onde sua única esperança – alcançar o domínio completo da língua portuguesa como possibilidade de ascender socialmente – se vê interrompida pela chegada de uma nova língua oficial do país, o inglês.

Chancelado pela Editorial Fundza, o livro, de acordo com o autor, é inspirado na “transformação linguístico-cultural que se assiste um pouco por todos os países de língua e expressão portuguesa”.

Para Mia Couto, Manuel Mutimucuio, nesta nova obra, reafirmou a sua capacidade em “ construir uma história que fala de uma nação que luta para emergir das cinzas e do caos”, colocando-se assim entre as “ importantes vozes da nova geração de escritores moçambicanos.”

Manuel Mutimucuio nasceu em Maputo, em 1985, mas teve os seus anos formativos na Beira. É doutorando em Governação e profissional de desenvolvimento, todavia, na escrita literária encontra um espaço de reflexão criativo sobre os desafios da construção do Moçambique contemporâneo. Recentemente esteve no Brasil a participar no Festival Literário de Poços de Caldas (Flipoços 2018), onde apresentou a sua obra de estreia “Visão” (2017), a qual disseca os contornos da ajuda internacional em Moçambique.

A 1 de Maio de 2018, o escritor moçambicano Manuel Mutimucuio fala, no Festival Literário de Poços de Caldas (Brasil), do seu romance Visão, lançado no ano passado pela Editorial Fundza.

A história do Visão tem Enoque Pita como um dos protagonistas. Enoque, ambicionando voos mais altos, ― tornar conhecida a sua pequena associação ― decide estabelecer parcerias com uma organização europeia, dirigida por Agnes Olsson, que também estava à procura de reconhecimento na Europa a partir de um trabalho impactante em África.

Por ser uma história que atravessa fronteiras, Manuel Mutimucuio, em entrevista à Soletras, diz sentir a necessidade de partilhá-la com leitores brasileiros. “Visão conta uma história moçambicana, mas que também podia ser de qualquer sociedade que vive os desafios da pobreza e a consequente presença de agentes de ajuda ao desenvolvimento”, justifica-se o escritor.

A partir de um exemplo culturalmente familiar [de Moçambique], Manuel Mutimucuio espera deixar os leitores brasileiros em alerta com “a moral da história, que as montanhas de promessas de ajuda podem parir ratos”. Isto, defende-se o escritor, não por malevolência dos agentes de ajuda, “mas porque todo o processo é muito político e envolve seres humanos com necessidades e imperfeições”.

Mais do que partilhar histórias, Manuel Mutimucuio, que participa pela primeira vez no Flipoços, quer aprender muito do festival. Desejo que, pelo menos, deverá ser concretizado nas duas mesas redondas em que o escritor vai participar.

Subordinada ao tema “Escrever em Moçambique: onde se buscam as matérias-primas do escritor?”, a primeira mesa terá lugar no dia 01 de Maio e é nesta ocasião que Manuel Mutimucuio lança o livro Visão.

A segunda mesa está agendada para o dia 05 de Maio e subordina-se ao tema "Línguas e Literaturas em Diálogo". Participam nesta conversa, mediada pela escritora e pesquisadora Susana Ventura, para além de Manuel Mutimucuio, o também escritor moçambicano Dany Wambire, o escritor português João Pinto Coelho e a escritora brasileira Andrea Del Fuego.

Manuel Mutimucuio nasceu em 1985 e é tido como um dos jovens escritores mais promissores de Moçambique. Mia Couto, a propósito da edição do segundo livro de Mutimucuio, que deverá estar disponível nas livrarias moçambicanas em Maio próximo, escreve o seguinte: “Manuel Mutimucuio é, sem dúvida, uma das importantes vozes da nova geração de escritores moçambicanos. O seu segundo livro confirma o poder de subversão da sua escrita e a sua capacidade em construir uma história que fala de uma nação que luta para emergir das cinzas e do caos".

Com revista Soletras

Dany Wambire, escritor moçambicano, vai ao Brasil para lançar o seu mais recente livro de contos. “A mulher sobressalente” é título do livro e sai pela editora Malê, sediada no Rio de Janeiro. 

Em 10 contos, que compõem a obra, o escritor aborda o dia-a-dia da sua gente, o povo moçambicano, dando destaque aos desafios enfrentados pela mulher. Daí, justifica-se o autor, o livro ter o título “A mulher sobressalente”.

O livro é prefaciado por Martins Mapera, poeta e crítico literário, e traz três notas de leitura, sendo duas de dois consagrados escritores moçambicanos – Paulina Chiziane e Mia Couto – e uma da brasileira Aparecida Maria Nunes, jornalista e professora de Literaturas Brasileira e Africana.

Na nota, Paulina Chiziane refere que Dany Wambire escreve com “suavidade, como quem tece as frágeis pétalas das flores” interpretando os sonhos mais profundos do seu povo.

“O grande alcance de Dany é tanger, com olhar crítico, os eternos dilemas do ser humano, sempre gravitando entre a ordem e o caos, sonhos e ilusões, conflitos e preconceitos com que a sociedade foi construída”, lê-se na mesma nota.

Por sua vez, Mia Couto, que tem acompanhado de perto o percurso do jovem escritor, afirma que nos dez contos do livro está uma “nação inteira”. “Dany Wambire constrói uma narrativa leve mas atenta, irónica mas profundamente crítica, universal mas profundamente enraizada”, diz Mia Couto.

Maria Aparecida Nunes ressalta a importância da literatura produzida por Wambire pelo facto de as histórias por si construídas não serem “apenas singulares. São histórias que nos remetem para um mundo que parece inverosímil. Mas que não o é”.

No mesmo diapasão, Martins Mapera diz que a obra de Wambire é, “no mais sensato pensamento crítico, uma grande sala de aula onde se aprendem as principais lições de cosmogonia social”.

Na sua deslocação a Brasil, para além de participar na 13ª edição de Festival Literário de Poços de Caldas (Flipoços), Dany Wambire tem agendadas apresentações do livro e palestras em universidades das cidades de Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo.

Dany Wambire nasceu em 1989. É mestrado em Comunicação e licenciado em Ensino de História. “A adubada fecundidade e outros contos”, seu livro de estreia, foi distinguido com menção honrosa no Prémio Internacional José Luís Peixoto (2013). “O curandeiro contratado pelo meu edil”, colectânea de crónicas, é a sua segunda obra publicada. A terceira é infanto-juvenil e intitula-se “Quem manda na selva”.

Com revista Soletras

Mutondi, o tocador de Timbila, segundo livro infanto-juvenil de Alexandre Silva Dunduro, será lançado no dia 22 de Novembro, quarta-feira, às 18 horas, na Casa do Artista – Beira.

A obra, a ser apresentada pelo escritor Diogo Vaz, descreve as façanhas de um principezinho chamado Mutondi, que se recusa a ser militar, desafiando o pai, para seguir o seu sonho, tornar-se um grande tocador de Timbila.

A narrativa mostra que esta rebeldia do menino deixa o pai, o incontestável Rei de Padhukwa, com nervos à flor da pele, porque não tinha outro herdeiro para lhe suceder no trono e assim comandar o exército na defesa do reino aos ataques vizinhos, particularmente dos vumis.

Chancelado pela Editorial Fundza, Mutondi, o tocador de Timbila sucede “O casamento misterioso de Mwidja”, outro livro do autor, publicado este ano no Brasil.

Depois da Beira, a obra será apresentada na cidade de Maputo, nos meados do mês de Dezembro deste ano prestes a findar.

Alexandre Dunduro nasceu a 14 de Novembro de 1987, na cidade da Beira. Formado em Relações Internacionais e Diplomacia, segue a carreira de consultor e pesquisador desde o ano 2012. Como activista cultural, está envolvido em iniciativas juvenis de promoção da Cultura e da Literatura Infanto-juvenil em Moçambique. É também autor das seguintes obras: “O casamento misterioso de Mwidja”; “Antologia – Aunt Mavo’s Labours: A story from Mozambique” e “Antologia – SÄRJETTY MAA, SIEMENPUU”

A Editorial Fundza é uma editora moçambicana que procura dar oportunidade e visibilidade aos novos escritores moçambicanos, agenciando-os para que se tornem escritores de sucesso.

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