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  1. Francisco Rafael José Raposo - 1º classificado

O croniconto dos 200 quilómetros da Dona abistra e o cunhado comissionista

  1. Basílio Da Costa Luís Mazoio – 2º classificado

Ainda há fé em Muda!

  1. Otildo Justino Guido – 3º classificado

O fogo da água e o peso da fome

  1. Enia Stela Lipanga

Ápice da fome

  1. Joaquim Chiguemanha Oliveira

As peripécias da longa noite

  1. Lucas Muaga

A menina que caça o Sol

  1. Isaías Mucindo Armando Mate

 Memórias de um tempo sem saudades

  1. Francelino Dalton Wilson

Um dia de txopela na Beira

  1. Natália Inácia Jaime Alifoi

A dor da perda nunca morre para quem sobrevive

  1. Miguel Ouana

Idai levou Vô Augusto

  1. Gregório José António Pililão

Caçando um correio abraçaram o destinatário

  1. Edmilson Francisco Panguana

A queda do Litango

  1. Mineses Francisco Tomo Meque

A Primeira Carta ao Idai

  1. Stélio Filipe

Dias arrastados

  1. Razão Martins Raimundo

É só para esconder-me

  1. Dávio do Rosário Faife

Diário de um sobrevivente

  1. Janato Iussufo Janato

Memórias de um passado presente

  1. Ruina Maksud Carim

Cheguei Chegando

  1. Helton Amélia Elias

Algumas Horas de Tudo ou Nada

  1. Gabriel Anselmo Saete Boque

O ciclone do meu futuro

  1. Luís Lopes Zeca

A voz do vento

  1. Miguel Natha

Uma Luz entre os escombros

  1. Enoque Tomás Daniel

O Parto do Menino Idai

  1. João Baptista Caetano Gomes

Crónica de um órfão

  1. Cláudio João Sindique

Chiveve no cataclismo-lembranças da Patuleia

  1. Mélio João Tinga

Do céu mais escuro de Dombe

Concurso de crónicas “Memórias do Idai”

REGULAMENTO

 

Para lembrar o primeiro aniversário da passagem do ciclone Idai pela região centro de Moçambique, a editora Fundza institui o concurso de crónicas denominado “Memórias do Idai”.

                                                                                                                                                    

  1. Podem participar do concurso autores moçambicanos e estrangeiros residentes em Moçambique. Os textos concorrentes não podem conter nenhum teor discriminatório ou ofensivo, sob pena de serem desclassificados.
  2. Cada autor poderá participar com apenas um texto da sua autoria, no género literário crónica, relatando um episódio vivenciado durante ou depois da passagem do ciclone pela região centro de Moçambique. Cada ficheiro deve ter duas páginas, no mínimo, e quatro, no máximo (fonte 12, Time New Roman, espaçamento 1.5 cm, margens 2.5 cm para cada lado do papel A4).
  1. Os participantes deverão preencher uma Ficha de inscrição, que deverá ser enviada juntamente com o ficheiro contendo o texto para o e-mail This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.. Na ficha de inscrição, deverá constar uma pequena biografia do autor, com até 450 caracteres. Os textos apenas devem ser identificados com um pseudónimo escolhido pelo autor e escrito no alto da folha.
  1. Serão apenas aceites os trabalhos em língua portuguesa, o que não impede o uso de alguns termos estrangeiros no texto.
  1. Trabalhos colectivos não serão aceites. Cada inscrição deverá ser obrigatoriamente apenas de um autor.
  1. Há obrigatoriedade de o material enviado para publicação ser inédito e não será cobrado nenhum valor para a inscrição. O prazo final do envio dos trabalhos é 14 de Abril de 2020. Os resultados do concurso serão divulgados até o dia 31 de Maio.
  1. O autor participante deverá responder legal e individualmente por plágio, publicação não autorizada, calúnia, difamação e não autoria, isentando a Editorial Fundza de quaisquer responsabilidades sobre o conteúdo enviado para publicação na antologia.
  1. Os textos inscritos serão avaliados por um júri constituído por cinco personalidades, sendo dois escritores, um linguista, um crítico literário e um editor.
  1. O júri deverá seleccionar até 30 melhores textos, que serão publicados numa antologia. Os três primeiros classificados serão agraciados com valores pecuniários. O 1º classificado receberá 15 mil meticais; o 2º classificado, 10 mil meticais, e o 3º classificado, 5 mil meticais.
  1. Todos os casos omissos serão resolvidos pela Comissão Organizadora.

 

 É no Maputo onde está enterrado o seu cordão umbilical. Mas foi a cidade da Beira o teatro das operações da sua infância. Motivo mais que suficiente para que Manuel Mutimucuio homenageasse a segunda maior cidade do país no seu livro de estreia, “Visão”, lançado a 17 de Agosto, no Centro Cultural Português em Maputo.

Mia Couto, outro beirense, foi quem fez a apresentação do livro. Sensibilizado pela história da obra, o autor de “Terra Sonâmbula”, como tem sido frequente, aceitou ser o padrinho do livro. A disponibilidade de Mia justificou-se também por outros motivos, confessados emocionalmente, na ocasião. “ Para mim, é uma emoção muito grande estar ao lado de um escritor beirense que publica um livro por uma editora beirense, dirigida também por um jovem da Beira, com quem comunico há bastante tempo”.

Emocionado também esteve Manuel, o escritor da noite que, violando os preceitos da sua tradição, se banhou em lágrimas destinadas aos seus pais, particularmente à sua já falecida mãe, por lhe terem dado os alicerces sobre os quais constrói a sua vida, como confessou. E apresentou provas. “O evento de hoje é um testamento à vossa lição”, revelou.

Poder escrever e publicar um livro, segredou-nos Manuel, foi o que sempre o fascinou. E quando decidiu “passar da hesitação à acção”,  o autor preferiu escrever sobre a cultura das Organizações Não Governamentais às “líricas de paixões do secundário”.

VISÃO e AfriMozAid são as duas ONGs descritas na obra, mas é a primeira que dá título ao livro. A mesma é dirigida por Enoque Pita, um personagem sem pretensões de ser herói, que podia até ser o nosso colega do serviço, segundo Mia Couto.

“Ele é um cidadão comum, que podia ser o nosso colega do serviço e os conflitos individuais que enfrenta são reais, por exemplo o de ter uma esposa e uma amante ou que podia ter um caso com a secretária”, reforçou o apresentador da obra.

Para Mia Couto, o livro de estreia de Manuel Mutimucuio pode ser o indicativo de que uma nova geração de escritores, que diz que há aqui “um outro Moçambique que se afirma urbano, moderno, que já não olha para as histórias contadas à volta da fogueira, com o avô”.

É um Moçambique, continuou Mia Couto,  que está do lado do computador, do lado do ecrã. “Por isso, não é menos Moçambique. Não podemos ter o sentimento de que existe um lugar mais puro”, concluiu.

As palavras do mais premiado escritor moçambicano soaram como uma crítica à sua própria geração, e não só, que, “sobretudo através da prosa literária, falou sempre de um país sonhado, andou à procura de uma identidade nacional e esqueceu-se de que podiam existir várias identidades”.

E tal identidade nacional residia no campo ou no passado, segundo Mia Couto. De resto, é com muita alegria que Mia Couto vê quebrar-se esse paradigma por autores jovens, como Manuel Mutimucuio.

“A primeira impressão que tive, ao ler o livro [Visão], é que as suas vozes falam da realidade do nosso quotidiano, moderno, diferenciando-se de outras vozes que dizem o que nós deveríamos ser, e não o que somos. Isso é cativante”, confessou Mia Couto.

Cativante é também, para Manuel Mutimucuio, ter a escrita como um “refúgio perfeito para ser um cidadão activo sem, no entanto, ter de abrir a boca”. A boca, essa, parece que não obedeceu e deixou escapar as seguintes palavras:

“Visão é um ensaio sobre as perguntas incómodas que devemos fazer sobre o desenvolvimento, sobre o Estado, sobre as ONGs, sobre a relação muitas vezes incestuosa entre os doadores, implementadores, governos e beneficiários”, explicou Manuel Mutimucuio.

Para estas perguntas incómodas, os leitores poderão encontrar respostas nas 104 páginas do livro que, segundo o autor, não tem um desfecho clássico, daí Manuel não esperar conclusões de nenhum leitor.

Talvez por não ter o tal desfecho clássico, o autor de “Visão” não conseguiu evitar uma pilha de perguntas de jornalistas, todas com um “denominador comum”. Queria-se saber se as ONGs são boas ou más para o nosso país. Eis a resposta com que Manuel “brindou” a quase todos os jornalistas:

“Nem tudo na vida tem que ser necessariamente dicotómico, dividido entre o preto e o branco, pode ser que apareça um cinzento.

Manuel Mutimucuio nasceu em 1985, em Maputo, mas teve os seus anos formativos na Beira. Possui um Mestrado em Gestão e Administração de Negócios e uma Licenciatura em Planeamento do Turismo.

Nascido em Massinga, província de Inhambane, em 1961, Martins Mapera (também conhecido por Mar Zé TinShel) estreia-se na poesia publicando, pela Editorial Fundza, "Poema aberto e a tela de diversidade", obra que procura transportar para o lirismo diversas realidades, que vão desde familiares a nacionais.

O livro será lançado às 18 horas do dia 21 de Setembro, na Casa do Artista, Beira, numa cerimónia em que o autor espera viver uma "emoção de paternidade simbólica". E os leitores? Para estes, o autor reserva a função estética da arte, o deleite, a beleza, "que é, por sua vez, a estética das mazelas do espírito, da indignação, da curiosidade, da novidade".

Você lança agora o seu primeiro livro de poesia, 21 anos depois de ter publicado primeiros poemas na revista Tempo. Porque essa demora?

Não comecei a publicar o texto poético pela revista Tempo. Oficialmente escrevo nas notas biográficas que começo a publicar em 1996. Mas foi no ano anterior que se publicou o primeiro poema intitulado “Para um amigo”.

Que amigo era esse?

O poema é um retrato imaginário que “nasceu nos meus olhos” polimórficos e polissémico, embora as marcas textuais não parecem visualizar isso. Mas trata-se de um amigo que nunca existiu de corpo e alma, ele estava apenas do campo imaginário, no campo onírico. Não cheguei a saber que o texto tinha sido publicado.

Mas depois continuou a publicar?

Nunca gostei de me expor, nunca quis deixar as mazelas do espírito, as vicissitudes que dominam o terreno das emoções, dissimularem diacrónica e sincronicamente a esfera simbólica da sociedade. Talvez este facto justifique essa letargia.

 Como ganha sensibilidade pela poesia?

Na nossa vida, nas conversas que entabulamos com os amigos, com a sociedade, há, na verdade, um mecanismo interno de narrativização mítica e emotiva da realidade; há uma poesis que se evade dos cárceres do espírito para o mundo vagabundo da realidade.

O seu livro intitula-se “Poema aberto e a tela diversidade” e sugere que os leitores entrem ou se revejam nele. Quer comentar…

"Poema aberto e a tela da diversidade" provém de uma realidade transubjectiva. Ele procura liricizar realidades diversas. Por isso, é provável que o conteúdo poetizado interpele determinados fenómenos realísticos. Gilbert Durand disse uma coisa inspiradora, a propósito da espiritualidade e do universo simbólico, que tomo de empréstimo para caracterizar a natureza da minha obra: “Na boca de um filósofo como Platão ou de um antropólogo como eu, [‘a guerra dos deuses’] não é senão um sinal de humildade: a sabedoria humana, como a ciência humana, não podem senão deter perante esse limite, para lá do qual se articulam as teologias ou, melhor ainda, as místicas”.  

O seu livro é também sinal de humildade?

É uma espécie dessa “guerra dos deuses” no sentido antropológico do termo, e não necessariamente no sentido teológico, como refere Gilbert Durand, embora o próprio poema que dá título ao livro, dedicado a Emmanuel, a Craveirinha, Noémia de Sousa e a Malangatana, mostre essa ligação da realidade com a espiritualidade. A obra pretende, simplesmente, aquilatar o terreno da subjectividade realística.

No livro, há pelos 4 poemas que dedica a ente queridos seus. Acha que a poesia ajudou-o preencher os vazios deixados?

Na sua generalidade, os poemas que corporizam esta colectânea são uma dedicatória à vida. Nós celebramos as nossas amizades com pessoas vivas e com pessoas mortas todos os dias.

Como assim?

A forma como isso se processa é, obviamente, diversa. Antropologicamente, e no contexto da geografia destes textos, os mortos são celebrados através de bebidas, curiosamente, mesmo aqueles que em vida não bebiam álcool, ou por sacrifícios de animais (galinhas, cabritos, caracóis e lagartixas – risos), derramando o seu sangue sobre a terra para simbolizar a dor e o desassossego.

“Todo o morto/deseja ser plantado/como uma árvore”, são versos de um poema seu. Constata existir demasiada negligência na nossa sociedade, até com os mortos?

A negligência era comigo próprio, que adiei por muito tempo o plantio dessa árvore mítica da vida. Digo isso porque o mito vai ao encontro da história, examina-a e legitima-a, da mesma forma que o discurso veterotestamentário e as suas imagens garantem a autenticidade da história do Carpinteiro para um cristão.

Chegou a ser penalizado por essa negligência?

Sem a legitimação/adoração dos mortos, na minha cultura, não há sossego. Os mortos são a nossa luz, porque são eles que nos dão a força de viver para continuar a sua obra. Eles são a estrutura antropológica que nos proporciona a inteligência histórica e cultural. A morte provoca um hiato no cerne da vida, na medida em que rompe os laços da vida com a comunidade, separa o homem dos seus afazeres, cria distância entre o morto e o vivo. A morte não é, pois, o desenlace, o último passo da história, o fecho final. É, pelo contrário, o devir que não cessa de vir.

Em muitos versos seus, parece que se esconde um poeta indignado. Espera ser lido desse jeito e beneficiar do "socorro" dos leitores?

Tudo o que ocorre numa obra de arte, como o poema, a música, a pintura, o filme, a novela, deve ser lido com a necessária ponderação da deriva subjectiva das metáforas e das imagens.

Não concorda com a leitura?

A arte tem a função estética, ela serve para os interesses do deleite, do belo. A beleza é, por sua vez, a estética das mazelas do espírito, da indignação, da curiosidade, da novidade. É verdade que a arte transcende os limites de tempo e espaço, das realidades culturais, descortinando sentidos e sentimentos do presente e, se for necessário, reeditando o passado como refúgio para a busca de inspiração.

Você é também crítico literário. Consegue estabelecer a fronteira entre a poesia e a crítica?

Não há fronteiras geográficas entre a arte e a crítica, porque na verdade, a crítica resulta do exercício da leitura. Nós precisamos de ler para escrever e a poesia é produto inequívoco desse dom de leitura inspiradora, a crítica literária.

O seu livro será lançado na Casa do Artista, no dia 21 de Setembro. Que expectativas guarda para este primeiro lançamento?

A emoção é de paternidade simbólica. Quando geramos um filho, esperamos que ele seja um filho educado e que saiba ser e estar perante a família e a sociedade. É essa imagem que espero do livro, de uma publicação que contribua para o reforço dos mecanismos de abstracção e ajude a promover o sentido da leitura e da crítica. O livro deve saber estar em comunhão com a realidade subjectiva da vida.

Pode, justificando, sugerir um poema do livro aos leitores?

Há um poema autobiográfico, curto, mas profundo que diz o seguinte:

Sou um vento!/ Venho doutra atmosfera,/ do universo dos delírios/ a arreigar a mente,/ que compenetra no húmus ensolvado,/ obreiro de caos térreo,/ provenho da lava / edénica furtivo,/ da água de todas as vidas,/ em prol da brisa morena.

Este poema tem uma mensagem especial?

A principal mensagem é esta. Temos que ser a água de todas as vidas para justificarmos o sentido da diversidade. E só assim construiremos a paz, “em prol da brisa morena”, do bem-estar e do desenvolvimento.

A Editorial Fundza é uma editora moçambicana que procura dar oportunidade e visibilidade aos novos escritores moçambicanos, agenciando-os para que se tornem escritores de sucesso.

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