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Escritor da Fundza Manuel Mutimucuio lança “Moçambique com z de zarolho” no Brasil

Em 2017, Manuel Mutimucuio participou no Festival Literário de Poços de Caldas (FliPoços), no Estado de Minas Gerais, no Brasil. Nessa altura, a pretensão do escritor era divulgar a sua primeira obra literária, Visão, edita pela Fundza.

Entre encontros com diferentes autores e editores, logo destacou-se uma conversa com o proprietário da editora brasileira Dublinense. O escritor moçambicano disse-lhe que tinha um livro inédito. Entendidos e combinados, Manuel Mutimucuio enviou-lhe o manuscrito e, por vários meses, nenhuma corrente de água moveu qualquer moinho.

Ao notar o silêncio da outra parte, o autor de Visão contactou Dany Wambire. O seu editor da Fundza explicou-lhe que esse tipo de procedimento, no meio editorial, era comum nos casos em que os editores não se interessavam por um projecto de livro.

Sem qualquer resposta do Brasil, Manuel Mutimucuio acolheu o convite de lançar o seu segundo romance pela Editorial Fundza, dando-lhe o seguinte título: Moçambique com z de zarolho. O lançamento aconteceu em 2018 e, nessa altura, o escritor já nem se lembrava de que um ano antes tinha enviado um e-mail à Dublinense. Refrescou a memória quando, em 2019, o proprietário da editora brasileira respondeu-lhe ao mesmo e-mail de há alguns anos, manifestando estar fascinado pelo livro. Nessa altura, foi a Dublinense a mostrar-se mais interessada em publicar o livro. O escritor e a editora avançaram e, assim, Moçambique com z de zarolho saiu em Dezembro de 2022.

Com a edição brasileira, além de 2000 mil exemplares, pela primeira vez, Manuel Mutimucuio passou a ter um livro seu no formato digital. Agora, possível de comparar na Amazon. Para o escritor, isso é bom porque amplia a possibilidade de leitura por outras pessoas. “Lembro-me de que, há algum tempo, quando estava em Portugal, as pessoas sempre perguntavam se poderiam encontrar uma obra minha na Amazon, até porque os meus livros impressos não estavam disponíveis nas livrarias portuguesas. Portanto, estando na Amazon, Moçambique com z de zarolho passa a pertencer ao mundo inteiro”.

No seu segundo romance, Mutimucuio imagina a possibilidade de um dia os políticos nacionais substituírem a língua portuguesa pela inglesa. “Para nós, quando éramos meninos, a língua portuguesa era um instrumento de ascensão social. No passado, famílias inteiras proibiam as suas crianças de falar o que consideravam dialeto. Hoje, o instrumento de ascensão social é o inglês. Está aqui a acontecer um movimento de elevação estratégica da língua inglesa em Moçambique”.

A edição brasileira de Moçambique com z de zarolho possui 125 páginas. Para Mutimucuio, mais do que um romance, esse é um ensaio sobre uma realidade e uma situação que ainda pode acontecer em Moçambique. Logo, na sua ficção, é importante compreender estas dinâmicas políticas e da língua.

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